Nesta segunda-feira, dia 7 de dezembro, a cotação do dólar comercial fechou no valor de R$ 5,1184, operando em queda de 0,10%. O valor atual é o menor em mais de quatro meses, desde 22 de julho quando chegou em R$ 5,116.

Apesar de não ser a primeira vez em 2020 que a moeda americana tem uma queda de valor, a situação de agora mostra uma tendência diferente no mercado. Isso porque, ao longo do ano, o dólar apresentou apenas pequenas oscilações, mas em geral se manteve operando em alta em relação ao real. Vale destacar que, por enquanto, o avanço anual ainda é de 27,65%.

Entretanto, o valor atual não foi uma baixa à parte, e a moeda vem de desvalorizando nas últimas semanas. Na parcial de dezembro, por exemplo, o dólar já acumula queda de 4,27%. Essas projeções têm impacto direto no mercado brasileiro e, por ser um assunto de relevância mundial, a B&T separou alguns motivos para explicar essa tendência de queda.

Expectativas de vacina para o COVID-19
Desde o início da pandemia, acompanhamos os impactos diretos da crise causada pelo novo coronavírus, inclusive no mercado financeiro. Com o fechamento de estabelecimentos e isolamento social ocorrendo em todas as partes do mundo, é evidente que a economia sofreu grandes perdas e mudanças.

Pelo cenário instável, é comum ter uma fuga de capitais para moedas fortes, como é o caso do dólar americano, ao mesmo tempo que, já nos primeiros sinais de recessão, a tendência é que os investidores queiram vender moedas como o real, e que sai capital estrangeiro da bolsa de valores.

Com notícias de avanço no desenvolvimento da vacina para o COVID, a situação começa a mudar. Apesar da pandemia ainda estar com número altos e expressivos, a possibilidade de uma vacina faz com que os investidores considerem que o tamanho do risco do coronavírus seja cada vez menor em suas projeções. Esse cenário é mais favorável para eles assumirem mais riscos, abrindo mão do dólar – consequentemente gerando uma desvalorização – e voltando a investir em outras moedas.

Projeção do PIB brasileiro
No caso do Brasil, outro fator que explica a queda do dólar em relação ao real é o resultado do Produto Interno Bruto (PIB), divulgado pelo IBGE no dia 3 de dezembro. Segundo o instituto, o PIB brasileiro cresceu em 7,7% no terceiro trimestre, em comparação com o trimestre anterior.

Mesmo não sendo o suficiente para recuperar as perdas econômicas causadas pela pandemia, a expansão foi recorde no terceiro trimestre, totalizando R$ 1,891 trilhão. Com esse resultado, o país sai da chamada “recessão técnica”, e os principais destaques do PIB nesse período foram a indústria de transformação (23,7%), o comércio (15,9%) e a indústria (14,8%).

Em termos de perspectivas, a retração de 2020 deverá ser menor da que a projetada pelo mercado financeiro, que chegava a 4,50%. Já para 2021, a previsão atual dos especialistas é de um crescimento de 3,45%. Com as projeções de crescimento, investidores voltam a olhar para o mercado brasileiro, o que valoriza a moeda nacional, diminuindo a alta disparidade com o dólar.

Estímulos estrangeiros na economia
Como já mencionado anteriormente, a desvalorização do real pode ser explicada pela venda da moeda por parte dos investidores e pela saída de capital estrangeiro na bolsa de valores brasileiras, o que são práticas normais em tempos de crise.

Por esse motivo, investidores lá de fora ficaram por bastante tempo longe dos ativos brasileiros, mas isso vem mudando desde o mês passado. Com a perspectiva da vacina e do crescimento do mercado brasileiro, o país tem um cenário favorável e volta a chamar a atenção de investidores estrangeiros, o que faz com que o real seja valorizado.

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